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quinta-feira, 12 de julho de 2012







12.07.2012

Na comparação com igual mês do ano passado, as receitas do setor varejista tiveram expansão de 13,1%

As vendas do comércio varejista do Ceará cresceram 9,6% em maio deste ano, na comparação com igual mês de 2011 (sem ajuste sazonal). O resultado ficou acima da média nacional (8,2%) e colocou o Ceará na 13º posição entre os estados que apresentaram a maior expansão no País e em 5º no Nordeste. Já a receita nominal do varejo cearense cresceu um pouco mais no período: 13,1%, ficando em 12º no ranking dos estados brasileiros que mais faturaram. Considerando o varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e veículos, o crescimento do volume de vendas e da receita nominal foi mais modesto em maio deste ano, sobre o mesmo mês do ano passado: 5,6% e 7,8%, respectivamente.


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As vendas cresceram mais em eletrodomésticos, com destaque para TVs 
FOTO: LC MOREIRA

As informações são da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o economista Alex Araújo, o desempenho obtido pelo comércio varejista do Ceará é bastante positivo. "O resultado, em geral, é muito bom. Coincide com o Dia das Mães e com os incentivos do governo para estimular o consumo. O desempenho do setor no Estado mostra a retomada das vendas, que tinham sido reduzidas nos primeiros meses do ano, devido, em parte, ao nível de endividamento dos consumidores", avalia.

Os incrementos registrados pelo varejo cearense foram impulsionados pelos setores de móveis e eletrodomésticos e de material de construção, que cresceram 29,6% e 23,5%, respectivamente. "Há algum tempo, o segmento de móveis e eletrodomésticos desbancou o de vestuário. Produtos como refrigeradores e televisores vêm com uma demanda muito grande, impulsionada, dentre outras coisas, pelo processo de mudança da classe média, que ainda não foi concretizado aqui. As mudanças na tecnologia também estão ampliando a demanda por esses produtos, que deve permanecer aquecida nos próximos anos, em função de eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas", afirma Araújo, acrescentando que a redução do IPI para móveis e itens da linha branca também contribuiu para o bom desempenho.

No caso dos materiais de construção civil, o economista explica que o setor permanece aquecido, devido às obras públicas, com destaque para os empreendimentos voltados para a Copa, e também pelos investimentos privados, que, embora tenham reduzido os lançamentos no início do ano, estão concentrados em concluir as obras já lançadas.

Outras atividades que apresentaram expansão nas vendas foram: combustíveis e lubrificantes (20,8%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (12,9%); tecidos, vestuário e calçados (11,5%); e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (7,6%). Por outro lado, houve redução no volume de vendas das atividades de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-22,2%); livros, jornais, revistas e papelaria (-14,7%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,7%); e veículos, motocicletas, partes e peças (-4,5%).

Receita

O desempenho das atividades quanto à receita nominal foi semelhante ao das vendas. Na comparação com maio do ano passado, seis atividades apresentaram crescimento na receita: material de construção (26,1%); móveis e eletrodomésticos (24,1%); hipermercados, combustíveis e lubrificantes (18,7%); supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (14,1%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (14,1%); e tecidos, vestuário e calçados (13,9%). As demais atividades tiveram redução da receita nominal, com destaque para equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-29,7%). Em seguida, estão livros, jornais, revistas e papelaria (-13,7%); veículos, motocicletas, partes e peças (-5,3%); e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,4%).

Acumulado

No ano, as vendas acumulam incremento de 7,8%, sendo o 3º menor desempenho no País, abaixo da média nacional (9%) e atrás somente do Rio de Janeiro (3,1%) e do Distrito Federal (6,2%). Já em 12 meses, a expansão das vendas do varejo no Ceará foi igual à média do País: 7,3%, ficando, novamente, entre as três menores, atrás do Rio de Janeiro (4,3%) e do Distrito Federal (4,7%). Com relação à receita, o varejo cearense cresceu 11,2% noa cumulado deste ano e 10,8% nos últimos 12 meses.

Expansão

29,6 por cento foi o crescimento das vendas no setor de móveis e eletrodomésticos em maio deste ano, na comparação com igual mês do ano passado

País tem recuo de 0,8% ante abril

Rio de Janeiro. Em maio, as vendas do varejo nacional caíram 0,8% na comparação com abril, refletindo o ritmo fraco da economia e o aumento do endividamento das famílias. Este foi o maior recuo desde novembro de 2008, período que marcou o auge no impacto da crise internacional sobre a economia doméstica. O tombo, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi bem maior do que o previsto pelo mercado financeiro e fez as taxas de juros recuarem no mercado futuro, com investidores apostando em um prolongamento do ciclo de cortes na taxa Selic. "O Banco Central terá de atuar mais", afirmou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Guilherme Perfeito, para quem a queda é "um sinal grave, que pode comprimir as expectativas do empresariado".

O índice de média móvel trimestral, que aponta com maior precisão a tendência, já que reduz a volatilidade da taxa mensal, diminuiu de 0,3% no trimestre encerrado em abril para zero no trimestre encerrado em maio. "O governo vem tentando resolver o problema da crise da mesma forma como enfrentou em 2008 e que deu certo. Só que agora tem um ingrediente que não havia antes, que é o alto nível de endividamento do consumidor. Desta vez, a saída não é consumo, é investimento", avaliou Reinaldo Pereira, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Para Pereira, as medidas do governo para estimular o consumo não estão surtindo efeito nas vendas do varejo também porque, em época de desaceleração econômica, o humor para o consumo fica comprometido.

Avanço

Apesar do recuo quando comparadas ao mês imediatamente anterior, as vendas do varejo no País cresceram 8,2% em relação a maio de 2011.

A situação do comércio varejista também é bastante favorável no ano, com crescimento de dois dígitos. Em 2012, as vendas já cresceram 11,9%. Em 12 meses, o aumento acumulado é de 11,4%. "As vendas no varejo tiveram um desempenho argentino na margem (mês contra mês) e chinês na comparação com o ano passado", definiu Christian Travassos, economista da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ).

DHÁFINE MAZZA
REPÓRTER
 


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